Jejum de 72 horas: o botão de reset mais poderoso para o cérebro
1/2/20263 min ler
Quando se fala em jejum prolongado, muitas pessoas ainda associam essa prática apenas à perda de peso ou ao descanso do sistema digestivo.
O jejum de 72 horas promove uma transformação profunda no cérebro, ativando mecanismos biológicos de reparo, limpeza neuronal e reorganização metabólica.
Não se trata apenas de disciplina alimentar. Trata-se da ativação de um sistema interno de manutenção e regeneração, silencioso e altamente sofisticado, presente dentro dos nossos neurônios: a autofagia.
O que é autofagia?
A autofagia é um processo biológico natural responsável pela limpeza e reciclagem das células. O termo vem do grego auto (a si mesmo) e phagein (comer), significando “comer a si mesmo”.
No cérebro, a autofagia é essencial para:
Eliminar proteínas danificadas ou mal dobradas
Remover mitocôndrias disfuncionais
Manter a saúde dos neurônios
Preservar a eficiência das conexões sinápticas
Esse mecanismo ganhou reconhecimento mundial com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 2016, concedido ao pesquisador Yoshinori Ohsumi.
O segredo da autofagia: limpeza profunda do cérebro
Em um padrão alimentar contínuo, a autofagia ocorre de forma limitada. No entanto, durante períodos prolongados de jejum, especialmente entre 48 e 72 horas, esse sistema é fortemente ativado.
No cérebro, isso se traduz em uma limpeza profunda, caracterizada por:
Redução do acúmulo de proteínas neurotóxicas (beta-amiloide, tau)
Melhora da função mitocondrial neuronal
Redução do estresse oxidativo
Maior eficiência e resiliência cerebral
Alterações na autofagia estão diretamente associadas a doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.
O que acontece no corpo e no cérebro durante um jejum de 72 horas?
1. Mudança do combustível cerebral
Após 24 a 48 horas de jejum, as reservas de glicogênio se esgotam e o organismo entra em cetose profunda. Nesse estado, o cérebro passa a utilizar corpos cetônicos, especialmente o β-hidroxibutirato, como principal fonte de energia.
Esse combustível é mais eficiente e gera menos inflamação neuronal do que a glicose.
2. Aumento da neuroplasticidade
O jejum prolongado estimula a produção do BDNF (Brain-Derived Neurotrophic Factor), proteína essencial para:
Formação de novas conexões neurais
Aprendizado e memória
Regulação emocional
Saúde mental
Níveis reduzidos de BDNF estão associados a quadros de depressão, ansiedade e declínio cognitivo.
3. Redução da inflamação cerebral
Durante o jejum, ocorre redução de marcadores inflamatórios sistêmicos e cerebrais. Os corpos cetônicos atuam como moduladores inflamatórios, protegendo os neurônios.
Referência:Antes de começar: prepare seu corpo e sua mente (2 a 3 dias antes)
O jejum de 72 horas não deve começar de forma abrupta. A preparação prévia é fundamental para reduzir desconfortos e favorecer a ativação adequada da autofagia.
Preparação do corpo
Nos 2 a 3 dias anteriores, recomenda-se:
Reduzir gradualmente o consumo de carboidratos refinados
Evitar açúcar, álcool e ultraprocessados
Priorizar proteínas de boa qualidade e gorduras saudáveis
Aumentar a ingestão de água
Reduzir cafeína
Essa estratégia facilita a transição metabólica para a cetose, diminuindo sintomas como fadiga, dor de cabeça e irritabilidade.
Preparação da mente
A preparação mental é tão importante quanto a física. O jejum prolongado ativa respostas emocionais e cognitivas intensas.
É recomendado:
Reduzir estímulos estressantes
Dormir adequadamente
Praticar respiração consciente ou meditação
Organizar a rotina para evitar excessos de demanda
O objetivo não é “forçar” o corpo, mas criar um ambiente interno favorável ao reparo cerebral.
Como o jejum de 72 horas é realizado (abordagem educativa)
⚠️ Aviso importante: esta informação é educativa e não substitui acompanhamento profissional.
Protocolos descritos na literatura incluem:
Consumo exclusivo de água
Atenção à reposição de eletrólitos
Evitar exercícios intensos
Monitorar sinais de mal-estar
O jejum de 72 horas não é indicado para:
Gestantes
Pessoas com transtornos alimentares
Diabéticos tipo 1
Pessoas em uso de determinadas medicações
Indivíduos com baixo peso
Conclusão
O jejum de 72 horas não é apenas um desafio de disciplina. Ele ativa um sistema ancestral de reparo interno, profundamente ligado à saúde cerebral.
A autofagia funciona como um modo de limpeza profunda dos neurônios, permitindo que o cérebro elimine resíduos, se reorganize e opere com maior clareza, equilíbrio e eficiência.
A verdadeira transformação não acontece no espelho, mas dentro do cérebro.




